The Weeknd retorna às origens no obscuro ‘My Dear Melancholy’



Sem muito alarde, o cantor canadense Abel Tesfaye (a.k.a. The Weeknd) compartilhou nas redes sociais o EP ‘My Dear Melancholy’, o sucessor do blockbuster ‘Starboy’ (2016). O trabalho é o resultado inesperado de uma série de acontecimentos na vida do artista, do desconhecido em ‘Trilogy’ e ‘Kiss Land’ para o mundialmente famoso em ‘Beauty Behind The Madness’ e o último. O registro traz a produção de Guy-Manuel de Homem-Christo (Daft Punk), Skrillex, Mike WiLL Made-It, Daheala, Cirkut e Marz, além da colaboração de Gesaffelstein em duas faixas.

A novidade é uma celebração inevitável às origens do projeto, que transcende em falsetes cuidados para criar o cenário perfeito do seu universo sombrio. “Call Out My Name”, a primeira canção do registro, é um prelúdio à narrativa melancólica e ressentida de The Weeknd. Aqui, ele rasga o coração em pedidos para que um amor não o abandone – fazendo referência ao relacionamento que teve com Selena Gomez. “Acho que eu era apenas um pitstop até você decidir. Você acabou de perder o meu tempo. Você está no topo”, declara.



Esta é, possivelmente, a faixa que mais se destaca de todo EP. Além das referências ao namoro com Selena, a música faz uma imersão ao universo low fi que tanto rendeu na carreira de Tesfaye. A canção também ganhou um videoclipe vertical para o Spotify, que pode ser assistido neste link.



No entanto, em “Try Me”, é uma balada crescente carregada de influências oitentistas sobre esperar um verdadeiro amor, o que fica nítido em “Wasted Times”, um R&B sintetizado e atemporal que faz alusão ao um amor antigo, que sempre esteve apoiando o cantor desde o início – segundo os fãs, a moça em questão é a ex-namorada Bella Hadid. “Tempos desperdiçados que eu passei com outra pessoa. Ela não era nem metade de você (...) Quem você dá esse amor agora?”. A faixa também ganhou um videoclipe vertical para o Spotify. Assista aqui.



O compacto ganha novo rumo a partir de “I Was Never There”, uma colaboração com Gesaffelstein. The Weeknd muda de humor repentinamente, da vingança à depressão, em uma balada sombria e repetitiva cortejada pelos samples incríveis do produtor francês. O cantor diz que muitas vezes pensou em suicídio ao perceber que a relação do que é amor se assemelha a algo tóxico. Repleta de vocais carregados de autotune, a faixa se desdobra e desconstrói toda a energia das primeiras músicas.



“Hurt You”, outra colaboração com Gesaffelstein, é uma declaração assumida que Tesfaye é o pior em relacionamentos. A partir desde momento ele tenta curar as feridas ressentido e amargurado, mas deixando claro que o sentimentos estão blindados caso ela resolva voltar.

Por fim, em “Privilege”, a faixa mais linear e sublime do EP, é um adeus definitivo e desejo de que ela não sofra mais – pois ele estava lá quando precisou. Para resolver a dor, ele toma um rumo dramático e anuncia que neste momento voltará aos velhos hábitos. Sem dúvida, uma das composições mais amargas do músico.

‘My Dear Melancholy’ é um suspiro de alívio aos fãs mais antigos de The Weeknd, um possível adeus à sonoridade comercial e retorno às origens do R&B, trip hop e soul. A melancolia é o estepe fundamental em torno das raízes do músico, a zona de conforto sombria e caricata que nunca o decepcionou.

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